Estima-se que aproximadamente 800 pessoas vivem em situação de rua na Grande Vitória. Não é difícil vermos uma dessas pessoas no trajeto que fazemos diariamente seja no caminho para o trabalho, para a faculdade ou simplesmente no caminho para o mercado. Mas você já tirou um tempo para ouvir uma dessas pessoas? Qual é a história dela ou o que fez com que hoje ela estivesse nessa situação?
No dia 2 de outubro uma mulher em situação de rua foi esfaqueada naVila Rubim, em Vitória. Ninguém sabia o que tinha acontecido, qual era o estado de saúde dela, quem era ela, se tinha família ou não. Mas a mulher, que logo foi identificada como Verônica, tinha uma família e a filha dela recebeu a notícia da pior forma possível.
Thamara Gomes contou que viu notícia pela televisão, através de um jornal. Inclusive, esse mesmo veículo chegou a noticiar que sua mãe estava morta. Foi um susto para toda a família, que na mesma hora saíram e foram até o hospital para onde a tinham levado e descobriram que Verônica estava viva, porém, em estado grave, já que teve órgãos perfurados durante o crime.
Diante de tais fatos, surge um questionamento: Porque Verônica estava morando nas ruas se tem uma filha que mora tão próximo de onde ela fica?
Thamara nos relatou que a mãe sempre fez uso de drogas, porém, ia para as ruas para fazer uso e voltava para casa para cuidar dos filhos. Mas num certo dia, o Conselho Tutelar foi até a casa de Verônica, viu a situação em que eles viviam e tirou dela a guarda das crianças. Depois dessa situação, ela não via mais motivos para continuar levando a vida que levava com as responsabilidades que tinha e decidiu ir morar nas ruas. Foi onde se afundou cada vez mais no vício das drogas.
Depois de 8 anos sofrendo com a realidade que a mãe vivia, Thamara decidiu tentar convencê-la a sair das ruas e lutar contra esse vício, porque como ela mesmo nos relatou “se minha mãe não sair dessa vida, eu sei que ela vai morrer”. Hoje, um mês após o crime, Verônica está se recuperando em casa e procurando um jeito de começar a fazer um tratamento.
Como é o trabalho do Estado para ajudar na recuperação e na ressocialização de quem está em situação de rua?
Vitória
Na capital, o Serviço Especializado de Abordagem Social conta com uma equipe de assistentes sociais, psicólogos e educadores. A prefeitura diz que monitora a cidade todos os dias e são realizadas abordagens sociais com encaminhamentos para alimentação, atendimento psicossocial, higienização, documentação e espaços de capacitação e avaliação para concessão de benefício passagem para o caso de migrante. Esse trabalho é realizado todos os dias pela manhã, no turno da tarde e à noite.
O acionamento do serviço pode ser feito pelo telefone 156 de segunda a sexta-feira das 8h às 00h e aos sábados, domingos e feriados de 8h às 23h.
Vila Velha
A equipe é composta por assistente social e educador social que visitam os locais onde normalmente se encontram pessoas em situação de rua. O serviço funciona todos os dias, incluindo feriados, até meia-noite. Dentre os serviços, são ofertadas vagas em abrigos, alimentação, atendimento socioassistencial, atendimento psicológico, atendimento jurídico, passagens rodoviárias ou aéreas para o local de origem, auxílio para emissão de documentos pessoais, encaminhamento ao SINE de Vila Velha, oficinas dinâmicas para geração de renda e encaminhamento para o Centro de Atendimento para Dependentes de Álcool e Drogas da Secretaria Municipal de Saúde.
No município, dois locais acolhem pessoas em situação de rua como o abrigo João Calvino e o albergue Bom Samaritano. São 60 vagas no abrigo e 10 vagas para ficar durante a noite.
Cariacica
O trabalho de abordagem de rua é diário e realizado até as 22h por uma equipe especializada no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
No Creas, essas pessoas são encaminhadas a serviços de saúde, orientações sobre benefícios sociais, kit de higiene bucal, distribuição de preservativo ou encaminhamento ao abrigo institucional do município, disponível no bairro Campo Grande 24 horas. Lá, os moradores de rua têm acesso à higienização, pernoites, atendimento psicossocial, saúde, empregos, retirada de documentos e alimentação, com quatro refeições por dia.
Escrito por Thainara Ferreira
Fotografia por Jon Tyson
Fotografia por Jon Tyson
Mulher aceita tratamento e volta a viver com sua família após 8 anos vivendo nas ruas
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