A
depressão atinge cerca de 12 milhões de pessoas no Brasil e cada
vez jovens e adolescentes vêm sendo diagnosticados com essa doença
que pode até causar a morte, segundo dados da Organização Mundial
da Saúde (OMS).
Os
sintomas das doenças entre os mais jovens podem ser diferenciados, e
por isso é preciso ter bastante atenção com as especificidades.
Ainda
de acordo com
a OMS, a depressão é a segunda causa de morte entre jovens da faixa
etária entre 15 e 29 anos. O número daqueles que sofrem de
transtornos como depressão e ansiedade também é considerável: 15%
da população nesta mesma faixa etária sofre deste tipo de doença.
Por
conta do transtorno depressivo, vários jovens são orientados por
especialistas a fazerem tratamentos, dentre essas prescrições
estão antidepressivos, para aplacar a depressão e ansiedade.
Antidepressivos são fármacos eficazes para tratar transtornos
depressivos, mas também são utilizados para tratar diversas outras
doenças, como transtornos de ansiedade, transtornos alimentares,
distúrbios do sono, disfunção sexual, dor crônica, adicção e
mal de Parkinson.
Segundo
a psicanalista, Marta Cibien, e especialista em Doenças
Psicossomáticas, ‘’o uso de antidepressivos por si só, já é
um sintoma de que algo não vai bem com a sociedade. Quando se
percebe um aumento entre os jovens, esse quadro se torna mais
preocupante ainda’’, disse a especialista.
Pedro
Santos, de 21 anos, sentia vários sintomas da ansiedade e seus pais
vendo o seu estado emocional, resolveram levá-lo ao médico e depois
a um psicólogo para iniciar um tratamento. Pedro foi diagnosticado
com depressão e ansiedade. O jovem relata que vários especialistas
prescreveram vários tipos de antidepressivo.
Comecei a tomar diversos remédios, eram bastante fortes. Minha medicação foi trocada algumas vezes no período de tratamento. Os efeitos eram diversos, dependia muito de cada medicamento. Eu às vezes ficava meio lento em algumas situações, meio perdido também. Com o tempo, parei de me sentir eu mesmo e acabei vendo que os remédios estavam mudando meu jeito de agir. Afetava meu lado sentimental, a forma de sentir as coisas no dia a dia ficou muito distorcida e acabei decidindo interromper o uso da medicação. Os remédios acabaram me fazendo muito mal. Decidi iniciar outras formas de tratamento, no entanto, mantive o acompanhamento com psicólogos e aliei as sessões de terapia e outras alternativas para tratar o problema, que deu certo para mim. Hoje me sinto melhor com a forma de tratamento que iniciei depois de interromper a medicação. Acabei conseguindo superar a doença, e chegar a um estado bem estável. Estou bem melhor, a depressão está controlada e a ansiedade também, relatou o jovem Pedro.
“No
contexto de saúde mental a utilização de medicamentos deve ser
reduzida ao mínimo e indicada em casos extremamente necessários,
visto que quase todos os fármacos dessa categoria criam dependência,
e em muitos casos acaba afastando o indivíduo do quadro de
normalidade da perspectiva psíquica’’, esclarece a psicanalista
Marta Cibien.
“Considerada
como o mal do século”, a depressão ainda desafia médicos e
pacientes, podendo se tornar em 2020, segundo a OMS, uma das maiores
causas de mortalidade.A venda de medicamentos antidepressivos e
estabilizadores de humor quase dobrou no Brasil nos últimos cinco
anos. De acordo com um levantamento realizado pela IQVIA, empresa
norte-americana de auditoria e pesquisa de mercado farmacêutico,
entre julho de 2013 e junho de 2014, o número de vendas de tais
medicamentos era de quase 47 milhões de comprimidos, enquanto entre
julho de 2017 e junho de 2018 a venda foi de quase 71 milhões.
Segundo
a especialista, o registro de casos e de sintomatologia depressiva
aumentou consideravelmente nos últimos anos, sobretudo entre a
população jovem, na qual tal ocorrência pode abranger até 8,3%.
Apesar do uso de antidepressivos, dentre outras aplicações, estar
associado à prevenção do suicídio, estudos verificaram que 13 a
cada 14 tentativas de suicídio e 7 a cada 8 consumações ocorreram
entre pacientes que faziam o uso destes medicamentos.
Marta
Cibien, disse que é importante destacar que os efeitos de
antidepressivos não variam muito em faixas etárias como crianças,
adolescentes, jovens, adultos ou idosos. A variação mais importante
está no uso indiscriminado, pessoas que fazem uso dessas substâncias
sem prescrição médica ou com diagnóstico de falso positivo,
acrescentou a especialista.
Escrito por Ciglei Lira
Fotografia Laurynas Mereckas
Os jovens e os antidepressivos: causa e efeito
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