Na minha casa, o suicídio não é mais tabu. Ele foi real!


por Filipe Chicarino
O suicídio bateu na porta da casa da minha família no dia 8 de dezembro de 2000. Era uma madrugada quente de verão no interior de São Paulo. Márcio Alves Pereira, o Marcião, como era chamado pelos mais íntimos, apontou uma pistola calibre 45 na cabeça e puxou o gatilho. Ele tinha apenas 38 anos. Márcio era o meu padrasto e o amor da vida da minha mãe. Ainda consigo ouvir os gritos de desespero dela: “Por que você fez isso Márcio? Por que?”.

Está dúvida é coletiva! Porque Márcios, Marias, Paulos, Filipes, Vanessas acreditam que o caminho ideal é o da morte?

Este deve ter sido o questionamento da família do homem que vi pular recentemente da Terceira Ponte, que liga Vitória a Vila Velha. Um dos principais cartões postais do Espírito Santo. Nunca esquecerei esta cena que durou menos de 10 segundos. Este frame será eterno em minha memória.

Ah, que pule!”. É bizarro, mas sim, tem muita gente que compactua e reproduz este tipo de discursoque beira a desumanidade. “Fulano é covarde! Deixa morrer!” O que deixaram morrer foi à capacidade de se ter empatia. Mas, ao contrário do Márcio e desse rapaz que vi pular da ponte, a empatia pode ser ressuscitada com o desfibrilador do bem que tem como combustível o amor ao próximo. “Amar o próximo como a ti mesmo”, isso é bíblico! Vamos praticar?

Como sociedade, precisamos enfrentar esta realidade. A DEPRESSÃO, por exemplo, é um problema de SAÚDE PÚBLICA. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, de cada 100 pessoas com depressão, 15 tiram a própria vida. Uma das doenças silenciosas que mais mata no Brasil e no Mundo. No Brasil, os números são preocupantes: de 2007 a 2016, 106.374 pessoas morreram em decorrência do suicídio.

Este é um problema coletivo. Dos governos, das casas legislativas, dos veículos de comunicação, da área da saúde, de diferentes autoridades e da sociedade civil organizada. E do cidadão comum! Sim, quando você compartilha uma foto ou um vídeo de uma vítima, você está agravando o que já é grave pra caramba.

Não dá mais pra ficar jogando o suicídio pra debaixo do tapete. Já deu! Mas diálogo e menos tabu!

Temos de parar de olhar para o próprio umbigo e passar a olhar pro outro também. A ouvir o outro. Olhar menos para o telefone e mais para os olhos do ser humano que quer e precisa de sua atenção. Um olhar perdido, diz muito!



Na minha casa, o suicídio não é mais tabu. Ele foi real! Na minha casa, o suicídio não é mais tabu. Ele foi real! Reviewed by Equipe Integra on 11:27 Rating: 5

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