por
Jéssica Souza, Larissa Simões e Rodolfo Lopes.
Uma
nova forma de manipular a realidade circula no mundo digital: o Deep
Fake. A inteligência artificial utilizada para criar vídeos que
manipulam as expressões e a sincronização de movimentos faciais de
pessoas levanta questões preocupantes para as futuras eleições no
país e no mundo.
Em
meio a discursos políticos e crimes virtuais, a ferramenta apresenta
casos com resultados impressionantes e convencedores aos olhos de
quem vê, confundindo assim, a percepção política das pessoas.
Este recurso permite a criação de falsos vídeos, como por exemplo,
de determinado líder mundial com discurso contrário ao que
realmente representa seus argumentos e suas práticas.
![]() |
| Fonte: Wired |
No Brasil, a tecnologia promete dar muita dor de cabeça nas eleições de 2022. O debate atual sobre o assunto proporciona a informação aos usuários das redes sociais digitais a respeito da falsificação de conteúdo midiático propagado em massa sem a checagem da autenticidade dos fatos. Visto que, há um crescente problema de desinformação no país relacionado à falta de educação midiática das pessoas, aos conflitos políticos e aos simples métodos de produção de notícias disseminadas em larga escala, baseadas em imagens instantâneas, memes e gifs.
![]() |
Fonte: Washington Examiner
|
Com
os avanços da tecnologia, o Deep Fake pode assumir grandes
proporções para manifestar um posicionamento incitando o ódio
contra alguém de outra classe social, raça, gênero, sexualidade
e/ou religião.
Pensamentos
opostos
Esse
tipo de edição de vídeo já não é novidade para quem acompanha o
cenário de tecnologia, mas, até então, o comum é encontrar esse
formato para criar memes e humor nas redes sociais. As notícias
falsas disseminadas nas redes, também começaram como piadas e
acabou como ponto decisivo nas eleições presidenciais do EUA e do
Brasil.
Segundo
coordenador e professor de Jogos Digitais no Centro Estadual de Educação Técnica (CEET) Vasco Coutinho, Fabiano de
Paula,
os Deep Fakes surgirão no campo da disputa de narrativas para o
eleitorado indeciso.
Os eleitores mais próximos do candidato vão ser os primeiros a denunciar a adulteração, e do outro lado os eleitores produtores da deep fake vão usar para justificar suas ações. Como no caso da candidata Manuela D'Ávila que sofreu uma série de montagens durante a eleição, ressaltou Fabiano de Paula.
O
professor ainda destaca que a mídia tradicional era até então
guardiã da informação, uma vez que essa supremacia jornalística
foi destruída com a descredibilidade das instituições. “Entramos
em uma realidade na qual qualquer informação é verdade, a famosa
era da pós-verdade que a eleição do Trump nos EUA trouxe. O vídeo
por carregar uma ideia de verdade factual pode acrescentar elementos
que permitam que as pessoas afirmem que as fake news são verdades,
porém o fator mais preocupante deve ser os meios pelos quais as
falsas notícias são transmitidas”, completou.
Já
para o jornalista Vinícius Valfré, o Deep Fake não é a maior
preocupação no momento. A desinformação simples e direta é o que
traz receio na comunicação e interpretação das notícias. “Memes,
entrevistas editadas e tiradas de contexto, textos disparados em
massa por grupos de WhatsApp. Tudo isso, somado à crise de
credibilidade do jornalismo, é muito preocupante. Por enquanto, não
vejo os deep fakes como o foco do problema. Vejo, aliás, que, muitas
vezes, o debate sobre deep fake acaba por superestimá-lo”,
ressaltou o jornalista.
Ações
de Combate ao Deep Fake
A
empresa Holandesa, Deep Trace, responsável por desenvolver antivírus
para detectar Deep Fakes, estima que existam 12 mil vídeos como
estes na internet. A maioria é formada por conteúdos pornográficos
que buscam inserir celebridades nos vídeos dessa natureza. O número
ainda é baixo, sobretudo para a realidade brasileira. Contudo, as
estimativas para as próximas eleições presidenciais trarão uma
evolução das notícias falsas que vimos na última eleição, porém
as mídias sociais devem continuar a ter maior atenção.
A
empresa buscou construir um antivírus para tecnologias de
aprendizado profundo de última geração que detectam mídia
audiovisual sintética ou alterada. Além disso, o programa alerta
aos usuários quando a mídia manipulada é detectada, fornecendo
conclusão detalhada do que foi identificado.
Com
isso, a ferramenta de antivírus foi projetada para ser perfeitamente
integrada ao sistema de dados existente do cliente. A partir deste
ponto, a mídia audiovisual é autenticada com base apenas no
conteúdo acessado, não sendo possível identificar a origem do
vídeo ou controlar como ela é capturada.
Outra
iniciativa de enfrentamento foi implementada pela Cornell University,
localizada em Nova Iorque, EUA, desenvolvendo estratégias para
detectar a manipulação de rosto em vídeos. Desta forma, métodos
computacionais eficazes foram ampliados para combinar variações
nesses modelos, simultaneamente aplicadas com técnicas de
reconhecimento de faces particulares do domínio.
A
Universidade Americana vem executando extensas experiências para
obter um desempenho de extrema conformidade com o esperado. A
manipulação facial é identificada por meio de vídeos já
disponíveis à população, sendo feita a comparação específica.
Segundo a avaliação realizada pela Cornell University, a precisão
do estado da arte é em até 4,55% em relação a anterior.
As
vantagens e desvantagens alimentadas pela Inteligência Artificial
A
Inteligência Artificial possui grande importância no mundo do
entretenimento e na evolução tecnológica de ferramentas ligadas a
Engenharia e às demais áreas profissionais. “A saga do filme Star
Wars utilizou a AI para colocar um ator falecido dentro do filme, ou
para ter uma versão rejuvenescida de uma personagem. Outra produção
cinematográfica que também usou este artifício é o filme Logan,
aplicando a técnica massivamente para que tivéssemos o Wolverine
idoso e jovem ao mesmo tempo. Antes usaríamos maquiagem, agora
podemos realizar digitalmente. É um grande avanço para as produções
audiovisuais”, enfatizou.
![]() |
Fonte: Drive Sys
|
Contudo, a utilização maliciosa do Deep Fake se dá pela diminuição da tecnologia, de modo que não é necessário um grande estúdio para produzir esse tipo de conteúdo falso, uma falsa realidade que é alimentada na cabeça das pessoas. É por isso que as discussões sobre as eleições se tornam importantes, pois a identificação de um vídeo falso não é o grande problema, mas sim, fazer as pessoas aceitarem que ele é falso.
Iniciativas
estão sendo melhoradas para identificar um deep fake através da
análise ou por meio dos frames da imagem de procura e
inconsistências ao longo do vídeo, que também são usadas em
técnicas mais sofisticadas de mapeamento do rosto, em tese a mesma
que é utilizada para criar o Deep Fake.
A grande questão é: Você acredita no que vê?
Deep Fake ameaça virtual contra a democracia
Reviewed by Equipe Integra
on
12:08
Rating:
Reviewed by Equipe Integra
on
12:08
Rating:



Nenhum comentário: