Você sabe quem foi a pessoa criadora das primeiras linhas de código processadas por uma máquina? Para você que não faz a menor ideia, foi uma mulher, isso mesmo, Ada Augusta King foi a primeira programadora da história, a mente por trás de toda criação da área da Tecnologia da Informação (TI).
As invenções do mundo da tecnologia também contaram com mais mulheres, Grace Hopper e as irmãs Mary Kenneth e Hedy Lamarr mas, apesar de tudo, vem há anos sendo predominantemente masculina.
Estudos feitos em 2019 mostram que mais de 80% das mulheres da área de TI já sofreram ou presenciaram preconceitos no ambiente de trabalho, isso mostra que a busca pela igualdade nos últimos anos na área vem sendo mais difícil, e durante os cursos 60% já passaram por essa triste situação.
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| Luana Dias |
Dados informados pelas Nações Unidas Brasil (ONU), apontam que na maioria das empresas que apoiam a ideia de contratarem mulheres para ocuparem a posição de chefia os resultados são melhores e crescem em até 20%. Em cerca de seis a dez organizações privadas concordam que a diversidade de gênero melhora os negócios aumentando a criatividade, inovação e a reputação mostrando que são apoiadores das empresas serem mais igualitárias. Mas, mesmo com todas os dados positivos, menos de um terço dos conselhos de companhias do mundo possui apenas 30% da inclusão feminina.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) aponta que dos mais de 500 mil profissionais de TI no Brasil, apenas 20% são mulheres. Esse baixo percentual não é exclusivo do nosso país, os Estados Unidos no último censo apontaram que somente 25% dos cargos são ocupados por elas, até uma das em uma das maiores plataformas, o Google, mostrou que somente cerca de 30% de seus colaboradores são mulheres.
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| Fernanda Martins |
A chefe do setor de TI de uma empresa federal, Fernanda Martins, 40 anos, conta que sua paixão pela tecnologia veio durante um curso de verão nas férias escolares, ela se sente motivada por saber sobre a evolução das coisas, buscando sempre o aprendizado nos desafios que é exposta diariamente. Ela acredita que “não se deixar abater com possíveis comparações machistas em relação ao sexo masculino é o principal ponto para se mostrar superior e que, mesmo que não acredite em seu potencial, somos capazes de fazer o exercício melhor que os homens”, afirma.
Fernanda Martins é mais uma das sortudas que se encaixam na minoria que nunca sofreu preconceito, mas diz que o mesmo surge mais pelo lado dos usuários por questões culturais, por isso a importância de mostrar os trabalhos realizados por elas. Para ela, o motivo de existirem poucas mulheres na área é justamente o fato de ser voltada para as exatas, generalizada como atuação masculina. “Lembro que nos cursos preparatórios para ingressar na universidade, a maioria das meninas era da área de humanas”, conta Fernanda.
Não é novidade que desde criança nos ensinam que cada gênero tem suas habilidades específicas e não podem interferir ou superar a qualificação por gênero, e assim, já impondo a profissão que cada um deve escolher fazendo com que criem um pensamento de incapacidade e deixem de se superar, impedindo-nos de chegar a cargos de alto escalão.
Dessa forma, muitas mulheres perdem oportunidades de ganhar promoções seguindo essa linha de raciocínio de que ‘os homens são mais capazes’ – ideia imposta pela sociedade –, em que mulher na chefia não dura muito tempo e que, além de não confiar em si mesma, tem que ouvir piadas machistas e até em casos extremos ter a ideia de ser transferida para um setor menos tecnológico.
Nesse ambiente adversário e sem uma confiança depositada nelas pela busca da igualdade, o foco em vez de ser para superação acaba sendo de desistência. Abrindo mão do que se deseja e sonha, temos casos mudanças de comportamento e modo de se vestir para poder agradar e ter aceitação.
Além de todos os obstáculos que passam, as mulheres no mercado de tecnologia ainda sofrem com a instabilidade profissional, como por exemplo, quando ficam grávidas e, na maioria das vezes, tem a certeza que vão ser demitidas depois que a licença maternidade acabar sem nenhuma indenização.
Mulheres Poderosas
Muitas mulheres conseguiram superar os obstáculos e se tornaram importantes na área da tecnologia mundialmente como por exemplo:
Sheryl Sandberg, desde 2008 é a COO do Facebook e em 2012 foi a primeira mulher a ocupar uma posição no membro do conselho administrativo da empresa. Também foi ex vice-presidente de operações do Google, considerada a 10º mulher mais poderosas do mundo pela Forbes e uma das mais influentes.
Susan Wojcicki, CEO do YouTube, foi considerada a 12º mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes e uma das mulheres mais influentes e poderosas.
Safra Catz é presidente e CFO de Orache e, com apenas 5 anos de empresa, se tornou a presidente ocupando a 23º posição de mulher mais poderosa no ranking da Forbes.
Ursula Burns, CEO da Xerox, foi a primeira mulher negra a dirigir e liderar uma corporação nos Estados Unidos. Começou como uma estagiária e, depois de uma carreira brilhante na empresa, foi nomeada CEO sucedendo Anne Mulcahy.
Virginia Rometty, atual presidente e CEO da IBM, é a primeira mulher a ser líder da centenária companhia, antes do seu cargo atual trabalhou por 30 anos como vice-presidente sênior e executiva de vendas, marketing e estratégia.
Prêmio Mec Inova
O prêmio busca incentivar a inovação e o desenvolvimento tecnológico nas empresas por meio de práticas, processos e produtos que são novos ou foram aprimorados, mostrando uma mudança considerável e fazendo com que gerem mais lucro. Quem pode participar do prêmio são startups, micro, pequenas e médias empresas com a segmentação metalomecânico e elétrico. E a novidade deste ano foi que o primeiro e segundo lugar da premiação foram ocupados por mulheres.
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| Foto: Acervo Pessoa/ Suely Augusto |
O primeiro lugar ficou com Suely Ferreira, gestora de inovação e investimentos da Zaruc Tecnologia, que oferece tecnologia e automação. Ela nos conta que é formada em administração com MBA em Marketing, iniciou no mercado tecnológico em 2010 na TecVitória na área de modelagem de negócios e preparação de startups para investimento. Para Suely, o maior desafio está na própria cultura, em aproximar as mulheres deste universo e trabalhar a visão distorcida que existe espaço para elas neste segmento, evitando assim a perda de incríveis potenciais. “Mas essa é uma realidade que vem mudando, cada vez mais temos mulheres ocupando cargos de gestão de empresas de tecnologias e criando startups inovadoras”, afirma Ferreira.
O projeto vencedor de Suely tem a solução composta de hardwares e softwares que tem o objetivo de minimizar o furto de energia em áreas rurais, possui um sistema de blindagem do medidor de energia que impossibilita que o cliente tenha acesso a este e, consequentemente, realize o furto. Além de contar com sensores que enviam informações em tempo real para a distribuidora de energia, sinalizando que neste ponto está acontecendo desvio. Com esta solução é possível minimizar o furto, custo com equipes em campo e garantir o faturamento para as distribuidoras.
Ela acredita que, apesar do preconceito ser maior dentro da área, ela nunca sofreu preconceito e que a forma como você se posiciona na frente dos desafios e a segurança que conduz as situações diminuem os mesmos. Quando perguntada como se sente em ter ganhado o primeiro lugar, Suely Ferreira conta que se sente muito feliz e que é uma validação do constante investimento que realiza em pesquisas e desenvolvimento, inovação, processos e em capital intelectual.
O segundo lugar ficou com Tatyana Soriano, sócia da empresa Endsev, que oferece especialização em inspeção de materiais e equipamentos de tubulação. Antes, trabalhava na área administrativa e financeira e recebeu um desafio de trabalhar no Controle e Planejamento de Produção de uma fábrica – onde só haviam duas mulheres além dela –, o que fez ela se apaixonar pela área e decidir estudar Engenharia de Produção.
| Tatyana Soriano Foto: Arquivo Pessoal |
O projeto vencedor de Tatyana foi para a Petrobras, que possui problemas nas plataformas offshore com vazamentos em tubulações por pontos de corrosão. O projeto desenvolvido para a empresa é um procedimento de soldagem com baixo aporte de calor para ser aplicado em operação nas tubulações que tem perda de espessura, recuperando a tubulação possivelmente condenada sem atrapalhar a produção da plataforma offshore e um reparo definitivo de tubulação. Com a utilização dessa tecnologia, não será necessária a parada de produção ou diminuição da linha para realizar reparos.
Para ela, o maior desafio foi fazer com que a equipe masculina a ouvisse e praticasse o que tinha indicado, mesmo tendo os melhores argumentos. No começo, só a escutavam e faziam o que ela tinha dito após fazerem todos os testes indicados por eles e nenhum ter dado certo, depois de três situações similares como esta que começaram a ouvi-la. O motivo de existirem poucas mulheres no mercado, de acordo com Tatyana, em partes é por culpa nossa. Pois é mais fácil ir aonde é mais aceito, devido os rótulos impostos sobre a mulher - como frágil e menos criadora -, essa realidade pode ser mudada com o apoio da sociedade e do tempo, mas a mesma acredita que esse cenário já está mudando.
Quando perguntada como se sente em ter ganhado o segundo lugar do prêmio Tatyana Soriano diz que “o reconhecimento é por tanto esforço e dedicação minha e da equipe. Você saber que criou algo que ninguém fez antes é uma sensação muito boa, principalmente que em quase todo período de criação o que você mais ouve é que isso não vai funcionar, que é para desistir, que a gente está perdendo tempo. O prêmio vem para provar aos outros que eu estava no caminho certo”, pondera.
Escrito por Larissa Simões
Mulheres no Mundo da Tecnologia
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