Conhecendo o nascimento do carnaval através das escolas de samba da Grande Vitória


Foto: Reprodução/TV Gazeta

O carnaval traz uma grande história dentro de umas das escolas de samba que vem tomando um espaço cada vez maior em seus desfiles no sambódromo do Sambão do Povo, trazendo arte, muito samba e também muita cultura para os foliões capixabas. Só quem espera todo ano pelo carnaval de Vitória sabe a paixão que é apreciar cada detalhe nos desfiles que acontecem na avenida.
O Escritor e Jornalista Lucas Monteiro Foto: Acervo Pessoal
O Escritor e Jornalista Lucas Monteiro, autor do livro “Carnaval Capixaba. Histórias, Honras e Glórias” vem com a proposta de compartilhar um pouco seu conhecimento através da história do carnaval do Estado desde o momento que se chega a Vitória, trazendo todo o costume e tradição em seus bairros e comunidades da Grande Vitória. Ele conta que no estado do Espírito Santo já se praticava carnaval desde a época da chegada dos primeiros Portugueses que era quando precedia a Quaresma.
No carnaval tinham as brincadeiras de rua, as batucadas de Zé Pereira que era uma pessoa que saía batucando normalmente um surdo ou bumbo ou até mesmo uma lata no meio das ruas e as pessoas iam seguindo atrás fazendo um belo cortejo brincante. As pessoas já se fantasiavam e com isso foram agregando também algumas tradições indígenas como acrescentar as penas, as plumagens, as pinturas faciais e corporais. Algumas tradições também dos negros como as danças, os cantos, os lamentos e algumas músicas que remetiam aos orixás e tudo foi criando uma forma de brincar o carnaval antes mesmo de pensar em existir a escola de samba.
Vale ressaltar também que o nosso Estado foi considerado uma barreira verde na época do descobrimento do Ouro nas Minas Gerais. A cultura daqui foi se fortalecendo, criando novos ritmos, novos estilos de música como a casaca, o congo, o jongo que ficou muito forte por aqui – não foi criado aqui, mas se desenvolveu e acabou ficando forte.
Carnaval no Teatro Carlos Gomes
Em 1940, o carnaval de escola de samba no Espírito Santo começou quando o capixaba Sebastião Rômulo que tinha como costume ser chamado por Rominho, morava no morro da Fonte Grande e foi servir ao exército no Rio de Janeiro por um tempo. A localidade de São Cristóvão era muito próxima da sede da Mangueira, que era a escola de samba Estação Primeira da Mangueira e lá ele começou a ver que se praticava um outro tipo de carnaval que ele não conhecia.
Era um carnaval tanto das batucadas que eram feitas aqui quanto dos blocos mas também tinha algo chamado Escola de Samba em que as pessoas ficavam o ano inteiro aprendendo a tocar uma música, criavam a música para aquele carnaval, faziam fantasias, faziam alegorias que eram bem menores do que conhecemos atualmente, e foi encantando o Rominho. Aos poucos, quando Rominho é enviado do Rio de volta para Vitória, ele tenta trazer consigo um pouco dessa tradição, chega aqui e vê que as batucadas estão muito fortes que acaba tendo a rivalidade entre o Chapéu de Lado e o Amarra o Burro no Morro da Fonte Grande, que mobilizava a cidade inteira.
Só que ele quer experimentar em brincadeiras trazendo novos instrumentos, novas músicas e fantasias que presenciou no Rio de Janeiro e a partir disso, tem a ideia de criar uma Escola de Samba chamada Unidos da Piedade, trazendo o significado de que ele tentaria unir todos os foliões que existiam naquela região do Morro da Piedade.
Todos os blocos iriam se unir para fazer uma escola de samba, mas ele ainda não tinha adquirido os instrumentos e esses instrumentos dos blocos ou das escolas de samba do Rio de Janeiro ainda não existiam aqui no Espírito Santo, então aos poucos ele vai trazendo um instrumento e outro, vai confeccionando, comprando para tentar formar uma bateria e consegue mesmo não sendo Mestre de Bateria. Aprendeu a tocar com perfeição todos os instrumentos com o intuito de passar o conhecimento para as pessoas dali para que começassem a entender que aquela batida tem que ser diferente da batida do bloco, diferente da batida da batucada e com isso foi fundada a Unidos da Piedade.
No primeiro ano em 1955, ainda não tinham alas formadas, não tinham alas de baianas, a bateria inteira, mesmo assim a escola descia o morro e saía pelas ruas da região desfilando. Com isso outras pessoas se aproximavam e se interessavam por aquele som diferente, se incorporando naquela matriz da escola de samba que nos anos seguintes passou a desfilar como escola de samba. É interessante notar que nesse primeiro ano, a Unidos da Piedade que se tornou primeira escola de samba no Espírito Santo ainda não tinha o formato de escola de samba. Ela passa a ser considerada e desfilar como uma escola de samba quando ela tem uma rival ou coirmã que é era mais conhecida como os Acadêmicos do Moscoso, que foi fundada no ano seguinte. Então no primeiro ano ela desfila e no ano seguinte ela já começa com uma concorrente. A partir dali é que são criadas as divisões que nós conhecemos até hoje que é o carnaval da escola de samba, hoje tendo as comissões de frente que antigamente eram os baluartes (não eram os bailarinos), eram os baluartes apresentando a escola e assim abrindo caminho para a escola passar, o carro alegórico como pede passagem que trazia uma mensagem explicando qual era o enredo ou com o símbolo da escola, como a Piedade costuma fazer até hoje seja com o tripé ou com o carro abre alas.
As alas definidas mesmo que fossem poucas alas, mas as fantasias iguais ficavam reunidas em vez de ser como era no bloco que cada um se fantasiava da forma como queria. As fantasias tinham que ter um significado e isso foi trazendo muita gente para ver aquele espetáculo como se fosse um espetáculo de dança ou até um teatro de ballet, de música, uma ópera na rua e isso fez que muita gente se encantasse e a partir dali outras escolas foram sendo fundadas também.
Em 1957, pela primeira vez mais uma escola desfila e surge o primeiro campeonato que é entre a Unidos da Piedade e Acadêmicos do Moscoso. No ano seguinte, surge a Império da Vila que vai dar origem a Novo Império que são as primeiras agremiações e as primeiras escolas. Elas são da mesma região do Centro e da região intermediária de Vitória que são o Moscoso, Santo Antônio e Morro da Fonte Grande – Piedade. A partir dali vão surgindo outros embriões de escolas de samba espalhadas por toda Grande Vitória, então temos escolas de samba no município de Vila Velha, Cariacica, Serra, outros municípios no interior como Linhares, Colatina, Cachoeiro, Guarapari também vão criando suas próprias escolas de samba e esse movimento vai crescendo.
O Espírito Santo se tornou o segundo do país a ter um sambódromo construído. O primeiro sambódromo foi construído no Rio de Janeiro e no ano seguinte o estado do Espírito Santo já tinha o sambódromo. O carnaval capixaba chegou a ser considerado o segundo maior do país, nós chegamos a ter 20 escolas desfilando no sambódromo e tantas outras desfilando nos seus próprios bairros e nas suas próprias comunidades, porém, tivemos em 1992 um grande racha, quebra de sequências de grandes carnavais com a vinda de novos políticos.
Um exemplo foi Vitor Buaiz que proibiu o uso de materiais de origem animal como as penas, as peles tanto para fantasia como para instrumentos musicais são proibidas, as penagens e plumas também são proibidas e junto a isso com essa proibição veio culminar com várias brigas que estavam acontecendo nas ligas porque cada grupo tinha uma liga diferente, cada liga queria ser maior que a outra.
As escolas não concordavam com o regulamento que fundaram novas ligas então, com isso, foi um período que tinha muitas escolas e o governo não conseguia arcar o “patrocínio”, o dinheiro de subvenção para manter as escolas. Eram muitas escolas que tinham às vezes 4 escolas de samba do mesmo bairro. De 1993 a 1997 ficamos sem carnaval e em 1998 o Prefeito de Vitória que era o Luis Paulo Velloso Lucas se juntou com alguma das escolas tradicionais e retomou os desfiles para o Centro de Vitória.
No Centro de Vitória, as pessoas que iam para assistir os blocos também ficavam para assistir os desfiles das escolas de samba e com isso a TV Bandeirante através do Ferreira Neto que foi um grande incentivador desse retorno, começa a transmitir as escolas de samba também e outras escolas vão voltando, até que em 2002 o desfile retorna para o sambódromo e com isso tem um crescimento avassalador novamente que volta a ser transmitida em rede nacional. Muita cobertura, muitos camarotes, desfiles lotados, e chegam até o ápice que são três grupos, três dias de desfile, escolas tradicionais voltando, escolas também de outros municípios tentando participar do carnaval capixaba.
Na internet vários sites comentando, vários jornais e atualmente estamos caminhando para o futuro que será do carnaval capixaba que é se desvincular da imagem de ser um carnaval parecido com o carnaval do Rio de Janeiro e voltar a ser um carnaval capixaba, buscando novamente as referências do que temos aqui no Espírito Santo para criar carnaval que seja de identidade capixaba e não uma réplica do que vemos no Rio ou São Paulo.
O autor ressalta que uma coisa que as três escolas têm em comum é que elas são de regiões que já existiam grandes blocos de carnaval. Na Piedade existia o Amarra o Burro, o Chapéu de Lado e vários outros blocos que desfilaram no Centro de Vitória. Como foi contado que o Rominho veio do Rio de Janeiro com a idéia de fundar uma escola de samba e também brincar de carnaval de escola de samba aqui no Espírito Santo, fundou a Unidos da Piedade que é nossa primeira agremiação.
Essa agremiação foi crescendo e a partir dela foram criando outras agremiações tanto que a Unidos da Piedade é madrinha de várias agremiações. A Imperatriz do Forte também foi inspirada e criada por membros que desfilavam na Piedade. A Unidos de Jucutuquara também tem entre seus fundadores vários membros que desfilavam na Unidos da Piedade e que também participavam dos blocos de Jucutuquara , inclusive, o Nação de Jucutuquara que muitos se referem a escola de samba, era um bloco que se tornou escola de samba. Ele era um bloco tão grande que ganhava todos os concursos, virou “o concur” no desfile de blocos e foi convidado a se tornar uma escola de samba, desfilar junto, aceitou o desafio e se tornou uma das grandes escolas.
Assim como a Piedade, a Unidos de Jucutuquara tem uma diretoria que agora se tornou uma velha guarda muito forte e que gostava muito de enredos históricos. Nós temos grandes sambas da Unidos de Jucutuquara e da Unidos da Piedade que falam sobre grandes personalidades capixabas, sobre a famosa moqueca, sobre as nossas culturas, nossas raízes, nossos municípios, da mistura do negro, do índio e do branco, então são escolas que focam bastante na identidade capixaba, é uma coisa que liga muito essas agremiações além das cores serem as mesmas da bandeira do estado.
Já a MUG do outro lado da ilha, em Vila Velha, foi fundada também por pessoas que faziam parte de blocos de carnaval e de um time de futebol que era o chamado Calção Vermelho, então o vermelho do calção se tornou a cor da escola e a escola passou a ser apadrinhada pela Independente de São Torquato que era grande agremiação de Vila Velha e umas das grandes do Espírito Santo. A Independente de São Torquato ganhava tudo, ela foi Pentacampeã, era um dos nomes mais esperados, uma das escolas que todo mundo ficava aguardando e pensando: Qual será o enredo? Qual será o tema? O que será que eles vão fazer de diferente? Era sempre uma escola muito ousada para a época dela.
De 1980 em diante, era uma das grandes agremiações e nessa época foi fundada a MUG com muitos componentes da São Torquato. Diferente da Piedade e da Jucutuquara, a MUG foi fundada por pessoas muito mais jovens, então eles tinham enredos muito irreverentes com enredos falando sobre a Ditadura, palavras de duplo sentido nos sambas, então ela era sempre uma escola muito irreverente, não tinha aquele compromisso de “vou para ganhar” e sim para brincar de carnaval.

Só que essa brincadeira de carnaval fez com que eles aprendessem tanto e se aperfeiçoassem tanto se divertindo que a MUG se tornou uma das escolas mais aguardadas e mais esperadas de todos os tempos do carnaval moderno, então desde a volta da MUG em 2002 ela só voltou quando o sambódromo retornou. A partir de 2002 a MUG já veio com a idéia de ser uma escola grande para representar o município e com isso ela trouxe vários empresários, artistas que acreditavam na escola e no retorno que ela trazia e com isso deixou de lado a MUG brincalhona de enredos divertidos para trazer enredos históricos, de personagens capixabas ou não, mas para disputar o campeonato.
Foto: Reprodução/TV Gazeta
Atualmente os desfiles das escolas de samba que acontecem no sambódromo capixaba no Sambão do Povo, ele precisa seguir várias regras que são dispostas no regulamento do carnaval que é aprovado pela diretoria, pelos dirigentes e pelos presidentes. Esse regulamento é replicado para toda a comunidade, todos representantes e concorrentes das escolas para que as pessoas saibam o que é permitido e o que não é permitido durante o desfile.
Normalmente o processo de um desfile é quando cada escola fica concentrada na armação que é o espaço antes da pista de desfile, de um lado fica as alegorias e de outro lado ficam os componentes, e nisso, os componentes são agrupados em alas que são compostos normalmente de fantasias iguais ou de fantasias que correspondem ao mesmo tema. Essas fantasias contam o enredo junto com as alegorias e com o samba enredo, e conforme a escola vai entrando na avenida isso vai se agrupando, então as escolas vão sendo formadas pela comissão de frente que vai abrir o espaço para mostrar ao público qual é a escola que está desfilando, qual é o enredo que ela está trazendo. Um pede passagem, um tripé ou uma alegoria que normalmente traz um símbolo da escola ou representando o enredo, as alas e as alegorias. 
Foto: Fabio Madeira

Algumas coisas se tornam obrigatórias, exemplo como a obrigação de ter a comissão de frente, ter divisão de alas, os carros alegóricos, as alas das baianas. É obrigatório ter também a ala da bateria, ala de passistas e a velha guarda, o restante do carnaval é optativo. Conforme o desfile vai seguindo a bateria ela entra no recuo para que os jurados possam avaliar e há jurados de várias naturezas ao longo do sambódromo. Os jurados normalmente são pessoas que entendem de carnaval ou entendem de música e arte. É dos jurados que se torna a responsabilidade de julgar os quesitos que são as fantasias, alegorias, comissão de frente, bateria, mestre sala e porta bandeira, entre outros.
Com relação ao planejamento para produção e confecção de um carnaval, a ideia dele chegar ao sambódromo varia muito de escola para escola porque cada diretoria tem uma maneira diferente para planejar. Cada uma tem um incentivo diferente que vai fazer com que aquele tema seja escolhido e que a partir disso, tudo seja desenvolvido. Por exemplo, o carnavalesco e a diretoria se reúnem um mês após o desfile e colocam sobre a mesa as ideias para o carnaval. Então colocam a questão do tema, o que acham que pode agregar à escola, como tudo pode ser desenvolvido, quais as ideias que têm e se isso pode trazer ou não algum tipo de patrocínio ou algum tipo de visibilidade diferente para a agremiação. A partir dali o carnavalesco, a diretoria e os artistas convidados vão criar um texto para agradar aquele patrocinador que vai dar o dinheiro.

Se agradar a ele e liberar dinheiro começa a produção do carnaval em cima daquele tema que foi proposto, e é dessa maneira que surgem enredos sobre políticos, sobre as cidades, sobre produtos, sobre meios de transporte e outros enredos que às vezes nos perguntamos porquê esse enredo foi trabalhado na escola de samba e não foi um enredo histórico, um enredo mais divertido e carnavalizado. Porque é preciso ter dinheiro para fazer o carnaval e às vezes é essa maneira que as escolas encontram para criar os seus desfiles ou para ter o financiamento dos desfiles.
Foto: Fábio Vicente

O Diretor de Carnaval da escola de samba de Jucutuquara, Armando Chafik ressalta que a Jucutuquara sempre teve a tradição de lindos enredos e foi a 1ª escola do carnaval capixaba a criar uma equipe de “enredistas” (pessoas especializadas para pesquisar e criar enredos para a escola). O processo normalmente se dá da seguinte forma: logo após o carnaval acabar a equipe de enredistas já se reúne para pesquisar e elaborar possíveis temas ou histórias que poderão se tornar o enredo do próximo carnaval. Os enredistas apresentam várias ideias para o carnavalesco e para a diretoria da escola que a partir dos temas apresentados escolhe aquele que mais agrada e todos. Em muitos casos o carnavalesco também apresenta suas ideias e os enredistas o auxiliam na pesquisa e criação do enredo.

Em determinados anos acontece também de existir alguma proposta de patrocínio de uma empresa, de uma cidade, de um homenageado, então a equipe de enredistas pesquisa temas ou histórias que envolvam o patrocinador para que o mesmo possa viabilizar recursos para a escola mediante a sua história ser contada na avenida. São os famosos “enredos patrocinados”.

Abaixo os enredos apresentados pela Unidos de Jucutuquara no Grupo Especial:

1988 - Mistérios da Ilha, revelados pelas cartas do tarô
1989 - Rei por um dia
1990 - Na Mistura da Torta, a nossa mistura (Campeã)
1991 - Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma
1992 - Simplesmente Maria
* De 1993 a 1997 – Não aconteceram desfiles
1998 - Retorno: Carnaval, A alegria está de volta
1999 - Guananira - era uma vez uma Ilha do Mel
2000 - Natércia Lopes - O Canto que Encanta
2001 - Brasil, se a cor não pega, o teu cabelo não nega. Tu és negro, sim!
2002 - Da Escuridão à Luz... A noite, seus encantos e mistérios (Campeã)
2003 - Casaca
2004 - Quantos mais caminhos houver, mais descaminhos haverá! (Campeã)
2005 - Quem é você? As máscaras que ocultam também revelam
2006 - Os tambores de Jucutuquara soam nas terras dos Botocudos. (Campeã)
2007 - Caparaó Capixaba, os encantos da Montanha Sagrada. (Campeã)
2008 - De Vitória à Samotrácia: um canto de vitórias.(Campeã)
2009 – Convento da Penha: o relicário de um povo(Campeã)
2010 – O Espírito Santo Azul
2011 – Dá um tempo!
2012 – Os Mistérios da Ilha de Tupinambarana
2013 – A Centenária Noite do Sabiá da Crônica
2014 – Oh Bahia Ó!
2015 – Itapemirim: sob o caminho das águas, às suas ordens!
2016 – Vitória
2017 – Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma(reedição de 1991)
2018 – Ambrósio, o imortal
2019O Rosário do Bispo e seu delirante inventário do universo
2020 Griot



Após a definição do enredo e do samba-enredo, o carnavalesco e a direção de carnaval começam a pensar todo o roteiro do desfile, número de alas, quantidade de pessoas por ala, quantidade de carros alegóricos, o que cada ala vai representar dentro do enredo, o que cada carro vai representar dentro do enredo, etc.


Definido tudo isso, o carnavalesco começa a desenhar a escola. Tudo é feito primeiro no papel, cada ala, cada carro alegórico, cada destaque, tudo é desenhado um a um e apresentado à escola. De posse de todos os desenhos, o carnavalesco e a direção de carnaval começam a definir os materiais que serão usados em cada ala, tecidos, brilhos, decoração, pedras, etc.

Foto: Fábio Vicente

Após tudo definido começa o processo de orçamento de custos nas lojas especializadas em material de carnaval em Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo. Normalmente os materiais e as fantasias começam a ser confeccionadas no mês de novembro e os carros alegóricos em dezembro ou janeiro. Tudo vai depender do orçamento e das verbas que a escola for conseguindo com a iniciativa privada, dos eventos que realiza e também das verbas públicas.

Todas as fantasias devem estar prontas 1 semana antes do dia do desfile para que sejam entregues aos seus foliões que recebem e/ou compram as fantasias. As fantasias da escola são divididas em duas categorias: as “fantasias de comunidadeque são doadas para aqueles componentes que fazem parte da escola e que ensaiam e participam de todo o processo de construção do desfile como bateria, baianas, passistas, alas coreografadas, etc.

E as “fantasias comerciaisque são vendidas aos foliões e torcedores da Jucutuquara que participam desfilando na escola. O dinheiro arrecadado com a venda das fantasias ajuda a custear a confecção das fantasias ou de uma parte delas.




Escrito por Karolyna Lima
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