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| Foto: Arquivo Pessoal |
Tabu
no Brasil e liberada em alguns países, a Cannabis ou Maconha, é
comum entre algumas pessoas que querem se sentir mais relaxadas,
assim como em alguns medicamentos. Em
alguns casos, reduz náuseas e vômitos por portadores de câncer e
diminuição nos casos de epilepsia por exemplo.
O
Uruguai, em 2014, foi pioneiro no mundo a legalizar a produção, a
distribuição e o consumo de maconha. Em 2017, passou a ser o
primeiro a vender ao público para fins recreativos. O acesso é
permitido em farmácias, associação a o cultivo doméstico. E logo
após, o Canadá se juntou, e hoje ao menos 31 países adotam uma
postura mais liberal sobre o tema.
Desde
que a notícia começou a se espalhar, que o Uruguai iria liberar a
cannabis, o capixaba gastrônomo, Gustavo Henrique Souza, 29 anos,
começou acompanhar um pouco mais sobre o assunto e o país. Em
Vitória atuou no Grappino, Casa de Bamba, Doca e Don Camaleone e
outros. Com as notícias na tv, sabia que iria ter liberdade que
sempre sonhou de juntar a gastronomia: “Minha mãe era cozinheira e
eu aprendi muito com ela e sempre sonhei em trabalhar com algo que eu
amasse. Resolvi estudar gastronomia para ter a possibilidade de saber
mais sobre o assunto e aprender como harmonizar a canabis com a
comida “afirma Colombeck.
Em
uma entrevista ping-pong com Gustavo Colombeck conta um pouco de sua
história:
– Como
surgiu a ideia?
Colombeck:
A
ideia surgiu das referências de filmes de comedias com várias
possibilidades alimentícias a partir da maconha. E eu sempre tive a
vontade de experimentar na culinária para saber e ia dar certo. Aí
comecei a fazer alguns testes.
– Como
tudo começou?
Colombeck:
Comecei
a vender Brownies de Maconha no Centro de Vitória em festas de
reggae de alguns amigos. A partir daí, vi que tinha um público e um
mundo diferente voltado a culinária canábica e comecei a estudar
sobre isso.
– Por
que a escolha de ir para o Uruguai?
Colombeck:
A
ideia inicial era ir para a Europa, mas não deu certo e aí escolhi
o Uruguai. Vi que iriam legalizar e comecei acompanhar um pouco mais
e observei que eu teria uma certa liberdade que nunca tive. Tive um
tempo para começar a criar minhas coisas e estudar melhor. O país
me deu isso e o mais importante: um tempo para começar a criar
minhas coisas e estudar.
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| Foto: Arquivo Pessoal |
–
Como
foi ao chegar no país?
Colombeck:
Nos
primeiros meses, trabalhei em um hostel em troca de um lugar para
dormir e para ganhar uns trocadinhos. Comecei
a vender alfajor com maconha em uma barraca. As pessoas começaram a
me conhecer, ver sobre o meu trabalho e fiquei conhecido no primeiro
ano, surgindo vários convites. Aliás, Marcelo D2 já comeu um dos
meus rs.
– O
que a culinária cannabis representa para você?
Colombeck:
A
culinária representa minha vida, e acredite, a Maconha não serve
somente para “ficar chapado!”.
Fiz
muitos e muitos testes à beira do fogão e em laboratórios, para
saber o momento ideal para o uso em meus pratos.
– Como
funciona o seu cardápio?
Colombeck:
Tem
massas, carnes, sorvetes e drinks. Tudo é feito de acordo com cada
cliente. A intenção é causar efeito semelhante ao de fumar ou
vaporizar, mas com o controle de sua dosagem. Antes da realização
do prato, faço uma entrevista para saber qual a dosagem ideal. Todo
o jantar é personalizado e único.
– Como
funciona os jantares?
Colombeck:
Alguns
jantares são oferecidos em minha casa para grupos pequenos, mas há
exceções. Mesmo ilegal, fiz um no Rio de Janeiro para um cliente
que visitou a Expocannabis, aqui no Uruguai e amou os meus pratos.
O
chef também passou por Hamesterdã, Portugal e Barcelona onde
realizava eventos junto a “clubes cannabis”, e afirma que é uma
experiência inesquecível: “A maconha é muito mais do que o
gosto, aroma e o “prensadinho”. Hoje ele também dá cursos de
culinária com cannabis.
NO BRASIL
Como
diz Gabriel Pensador: “O
cachimbo do índio continuava proibido/Mas
se você quer comprar é mais fácil que pão/
Hoje
em dia ele é vendido pelos mesmos bandidos que mataram o velho índio
na prisão”.
O
chef sonha em voltar para o Brasil e para a liberação da maconha no
país. Existem discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) desde
2011 e com o novo governo acredita-se que será difícil entrar algum
projeto ou se discutir sobre o assunto. Gilmar Mendes, defendeu a
descriminalização de todas as drogas em agosto de 2015. Edson
Fachin e Luís Roberto Barroso foram favoráveis apenas à
descriminalização da maconha.
Para
fins terapêuticos é legalizado em 20 países, incluindo o Brasil
desde 2014. Há casos em que um país, mesmo não legalizando por
completo, libera a maconha
para consumos pessoal e terapêutico, são os casos da Alemanha,
Bélgica e Jamaica.
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| Foto: Get Budding |
OUTROS PAÍSES
A
Holanda, é o único país que é liberado, a posse, o consumo, venda
e o cultivo é desde 1976.
Na
Colômbia, por exemplo tráfico é proibido, mas a posse de até 20
gramas não leva a detenção. Na Argentina é permitido o consumo em
local privado, em pequena quantidade e na Espanha, é proibida a
venda e liberado o consumo e o cultivo da maconha em ambientes
privados. Há parcialidade em alguns outros países, onde alguns
legalizaram o uso da maconha
e outros só a liberaram para fins medicinais.
Escrito por Inayá Selvatice
Capixaba vira “Chef Hemp” no Uruguai
Reviewed by Equipe Integra
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