Instagramável: a febre de fotografar em locais “famosinhos”


Você provavelmente já viu mais de uma foto de usuários diferentes, em um mesmo cenário e talvez até com uma pose parecida. São paredes com desenhos de asas, grafites, cores, estátuas ou até mesmo a Torre Eiffel, todos os ambientes propícios para gerar muitos likes nas redes sociais, em especial, o Instagram. Sabe o que todos esses cenários têm em comum? Ambos fazem parte de um novo termo que os denominam, chamado Ambientes Instagramáveis.
Quem não se recorda da famosa faixa de pedestre em Abbey Road, no qual os Beatles registraram sua foto para a capa de um de seus álbuns e que, até hoje, é procurada para reproduzir a famosa cena? Esse é apenas um entre vários exemplos de ambiente em que diversas pessoas estão em busca, não apenas pelo prazer de estar ali, mas sim, pela sensação e o efeito que aquela fotografia pode causar.
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Foto: Reprodução

O termo instagramável ainda não pode ser encontrado no dicionário, mas o mesmo carrega consigo o peso de despertar o interesse do usuário do Instagram, local de origem de seu nome, em se fotografar naquele espaço em busca de um ideal na forma como ela pode ser enxergada estando naquele ambiente.
Segundo a psicóloga Maria Eliza, quando tratamos de aspectos usados principalmente no marketing, visando atrair as pessoas por intermédio de imagens, tudo é construído para que o interlocutor seja instigado a experimentar uma ideia ou produto mais facilmente. Assim, compreendendo essa nova tendência e a necessidade de se sobressair ao outro que as redes sociais causam em seus usuários, as empresas e os profissionais de comunicação não perderam tempo em fazer desse viral, que já não é algo tão novo – mas que começa a ser compreendido –, o principal instrumento para atrair seu público-alvo.
A busca por engajamento nas redes sociais, unida com a necessidade de pertencimento e aceitação, fez com que Gleucimar Vidal fosse até um shopping, localizado na região metropolitana do Espírito Santo, para ser fotografado em um cenário criado exatamente para isso. Com a possibilidade de se tornar um “personagem” e postar na rede, assim como outros amigos já haviam feito, ele conta que, mesmo sem perceber, acaba indo a lugares somente por ter visto outras pessoas marcando a localização em fotos que chamaram sua atenção. “Vi que outras pessoas tinham ido e sem dúvidas isso me fez querer estar ali para reproduzir a foto” afirma o estoquista.
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Em Miami, na Flórida, o Museum of Ice Cream ou Museu do sorvete, se tornou um grande sucesso não por retratar a história da famosa sobremesa, mas sim, por criar ambientes que atraem e são criados exatamente para provocar usuários online. Em seu próprio site, seus criadores deixam explícito qual o objetivo do espaço, cuja ideia é criar ambientes bonitos e compartilháveis que promovam a interação IRL e as conexões de URL. O sucesso do museu é tanto que filas são formadas para aguardar a entrada, como mostra a imagem abaixo.
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Foto: Museum Of Ice Cream
No Brasil, também é fácil encontrar espaços como restaurantes, casas de show e comércios em geral que adotam essa prática que visam o compartilhamento como principal ferramenta de divulgação. Além da paisagem, propiciar cada vez mais o sensorial tem sido o diferencial nesses locais, ou seja, quanto mais conectado melhor.
Em Belo Horizonte, a exposição “sensations” fez grande sucesso durante sua estadia neste ano (2019) em um shopping da região. Em suas redes sociais, a exposição produzida pela empresa mineira Smart Mix leva a vários Estados cerca de 6 ambientes totalmente diferentes como túneis, labirintos e até piscinas flutuantes para impressionar seu público.
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Foto: Exposição Sensations

O gerente de TI Thiago Farias, amante de fotografias, diz não abrir mão de registrar vários momentos em família e que raramente os compartilha nas redes sociais. “Eu mais tiro foto do que posto. Gosto de ter elas só como minhas recordações”, afirmou. Segundo a psicóloga Maria, agir dessa forma é o mais correto, já que o fato de ter que se mostrar para outras pessoas não é o fator principal da atitude. Segundo ela, “os indivíduos que se espelham em redes sociais, correm o risco de deixarem os próprios desejos de lado e de desenvolverem transtornos psíquicos quando comparam o seu estilo de vida e conquistas com os dos outros” reforçou a psicóloga.




Escrito por Jéssica Souza
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