Eu
não me recordo de minhas primeiras memórias de vida e, certamente,
será difícil que você se lembre também.
Essa
coisa que gera sentimentos e emoções que nos faz voltar a algum
tempo-espaço são as marcas mais profundas que temos em nós.
São
nossas memórias afetivas, o nosso tesouro particular.
A
plataforma de Streaming Netflix produz uma série americana chamada
“Queer Eye” em formato de Reality Show e apresentada por cinco
homens homossexuais, chamados “os cinco fabulosos”, Antoni
Porowski, especialista em comida e vinho; Tan France, especialista em
moda; Karamo
Brown, especialista em cultura; Bobby Berk, especialista em
design; e Jonathan Van Ness, especialista em cuidados pessoais.
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| Foto: Reprodução |
A
série, que já possui data marcada para o lançamento da quinta
temporada em março de 2020, trata sobre o que seria uma “repaginada”
nas cinco áreas dos fabulosos.
Muito
mais do que entretenimento, o seriado aponta traços como
autocuidado, ajuda psicológica e, o mais importante, afeto.
De
presente ganhei a atenção do meu pai que, como bom fã número um,
me faz maratonar
toda
a série com ele, dá palpite na decoração, fala sobre como os
apresentadores são engraçados e jura que vai fazer aquela tal
receita nova. Entre muitas gargalhadas, todo fim de episódio
vejo meu pai emocionado balançando a cabeça em sentido de afirmação
e soltando a seguinte frase: “é verdade”. Mas afinal, que
verdade é essa que ele tanto afirma?
Assistindo
com mais atenção aos episódios reparei no que construí para minha
vida com a série e sobre como isso está presente na vida de cada um
de nós. Memória.
Percebi que uma das memórias que tenho com mais carinho do meu pai será sempre essa: nós dois assistindo ao seriado juntos, com essa sensação de paz e conforto.
A
Psicóloga Vanilde Portillo, explica em seu artigo “O
Resgate da Memória Afetiva”,
que
a atenção é fundamental para a construção de uma memória e
esta, por sua vez, tem como base o afeto. Uma memória afetiva pode
se desenvolver a partir de uma percepção sensorial como um odor, um
som, uma cor, desde que tal percepção esteja ligada a um momento
afetivo importante. O
fato é que tudo isso está guardado em nós, no chamado
inconsciente.
O
resgate da memória afetiva é fundamental no nosso processo de
desenvolvimento psicológico, de autoconhecimento e desenvolvimento
pessoal. Quando resgatamos nossas memórias estamos trazendo com elas
a possibilidade de revisar, compreender e digerir determinadas
situações que podem estar bloqueando nosso ir em frente. Podemos
estar paralisados, sem perceber, em situações antigas que não
foram bem resolvidas e entendidas.
Quando
você fecha os olhos e pensa em alguém ou em algo, que sentimento te
invade o coração? Que sensação volta a tona? Qual memória existe
em você?
As
teorias do neurologista austríaco Sigmund Freud, considerado o pai
da psicanálise, ainda são referenciais importantes para os estudos
do inconsciente. Freud defendia que apenas uma pequena parte das
nossas memórias encontra-se ativada, demarcando os limites da
consciência. As demais estão escondidas.
Ao
longo dos anos e com o avanço da neurociência, muitas ideias de
Freud foram revistas e, na concepção contemporânea, o inconsciente
é nada mais do que a soma de nossas memórias, é um depósito
infinito de experiências de vida. Porém, muito além de
arquivá-las, ele ainda as associa num processo que foge à nossa
compreensão.
Final
de semana estava pintando minha casa com meus pais e, adivinha?
Percebi que lá estava ela, mais uma memória afetiva. Desde pequena
meus pais me ensinaram e incentivaram a cuidar da nossa casa de
perto. Essa é uma atividade que realizamos todos juntos. Quando
fecho os olhos e penso no meu país é essa uma das memórias mais
íntimas e bonitas que tenho. Minha família unida pintando as
paredes da casa, construindo móveis e criando uma nova memória
afetiva por meio de um objeto que será significado agora.
Freud estava certo, somos todos fabulosos!
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