Cantora Capixaba conta sobre a sua trajetória de vida através do samba

por Karolyna Lima

Aconteceu na última sexta-feira (23), às 20h, na Casa de Bamba em Vitória a apresentação de Micheli Montalvão com a Roda de Samba Folclórica.

A Casa de Bamba fica localizada no Centro de Vitória, sendo um espaço pequeno e aconchegante, mas que sempre dá um jeito de receber pessoas para curtir uma ótima noite de Samba. Com isso, além da energia contagiante que a cantora passa para o seu público, ela também abre espaço para compartilhar um pouco da sua história e toda sua trajetória de vida com o samba.


A cantora capixaba diz que cantar sempre foi o seu sonho desde pequena, começou na igreja sendo influenciada pela família materna que é repleta de músicos. Depois, na adolescência, participou de rodas de serestas na cidade de Jacaraípe na Serra, também em festas e reuniões de amigos acompanhada pelo seu irmão Ronaldo no estilo mais pop, mas acabou interrompendo o sonho para se casar e ter seus dois filhos, após este período Michele veio a conhecer o Sr. Lucas, no bairro de Jardim Camburi em Vitória, que mantinha uma roda de choro e samba.

A cantora que já conhecia alguns músicos da área e sempre foi apaixonada por samba, sendo Clara Nunes sua maior influência, tendo sua voz e expressão preferida no estilo começou a frequentar rodas de samba no Rio de Janeiro quando ia viajar de férias, e, ao conhecer o Sr. Lucas, começou a cantar informalmente com eles. Foi quando Micheli fez a sua própria roda de samba em um bar muito simples em Jardim Camburi e tudo passou a ter uma proporção maior, pois começaram a comparecer pessoas de todos os lugares para assistir.

O bar, as calçadas, o canteiro foi lotando de gente, a mídia começou a procurar e com isso foi se desenvolvendo e quase tornando-se impossível cessar as apresentações. Todas as pessoas pediam pelo repertório de samba e os maiores incentivadores nessa história foram o irmão Ronaldo e o Sr. Lucas para que ela seguisse profissionalmente neste estilo.

A maior realização que Micheli teve foi como cantora foi ter um poema musicado pelo compositor Alexandre Paião, a mesma sonha em transformar em samba muita coisa que já tem escrita. E uma grande alegria que ela tem é ter o seu filho como parceiro musical no violão de sete cordas e, principalmente, em ver a sua filha cantando e encantando a todos com toda potência de voz foi uma das grandes surpresas. “O apoio fundamental foi e é do meu filho, eu não saberia se teria continuado sem ele”, afirma a cantora.


A música ensinou muitas coisas à Micheli, mas uma delas, segundo a cantora, foi apreciar os talentos e diferenças como características exclusivas do ser e compreender que estamos em constante aprendizado, nenhum saber é definitivo. “O sentimento que o samba traz é de liberdade, de totalidade. Quando estou cantando me torno inteira, livre, a menina na frente do espelho com a escova de cabelo simulando um microfone. Conquistar o espaço como sambista é uma batalha constante porque o reconhecimento existe, não falta trabalho, mas o preconceito ainda é notório. Muitos eventos acontecem sem que tenha pelo menos um sambista. Todos homens”, conta Montalvão.

Os pontos positivos de todo esse processo, segundo relata Michele, é levar e manter viva a cultura do samba. Muitas amizades e parcerias significativas nascem nos encontros do samba e, infelizmente, existe por parte de alguns donos de casas e bares uma desvalorização notória do trabalho do músico, do artista, alguns com pensamentos que não é um trabalho, se tornando uma diversão, um lazer e pensam que estão fazendo um favor de abrir as portas da casa para o artista se apresentar, ou seja, existe ainda muita falta de respeito pelo trabalho e pela profissão.

Atualmente, Micheli Montalvão faz dois trabalhos de maior expressão no estado que são a roda de samba entre amigos na Casa de Bamba e o samba em trio que leva o nome de Sambear, que acontece com um violinista e um percussionista em eventos fechados que pedem apenas o violão e a voz, mas com o mesmo repertório de samba. As apresentações profissionais são na Casa de Bamba, no Mahara Lounge e eventualmente no Dollores, em Jardim Camburi, além de festas particulares que sempre aparecem.


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