Os impactos que causamos ao planeta podem ser reduzidos com uma alimentação vegana


por Thaynara Paiva e Brenda Rangel

O veganismo é uma preocupação com o meio ambiente e com a dor dos animais. Se preocupar com essas questões não é uma modinha que apareceu na internetassim como tantas outrase logo sumirá.

Poucas pessoas se dão conta que para um pequeno pedaço de carne chegar até a sua refeição existe uma gigantesca cadeia de produção que causa diversos impactos negativos ao meio ambiente como, a emissão de gases, desmatamento e excesso do consumo de água.

Em um levantamento realizado em parceria entre o
Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Agência Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ) mostrou que, para cada R$1 milhão faturado pela agropecuária e gerado em torno de R$ 22 milhões em impactos ambientais. 


Em outro grande estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade de Oxford, que foi publicado na revista científica Science, mostrou que se a produção de carne e lacticínios, o uso global das terras para alimentar a população seria reduzido em 75%. A pesquisa ainda relata que não é necessário ter uma dieta ingerindo produtos de origem animal.

Ainda segundo a pesquisa, as carnes e laticínios são apenas 18% de todas as calorias ingeridas no planeta e dão 37% de toda a proteína que precisamos. E mesmo assim, esses produtos são responsáveis por utilizar 83% de área cultivável e, produz 60% dos gases do efeito estufa.

Uma dieta vegana é provavelmente a melhor maneira de reduzir seu impacto no planeta Terra, não apenas gases do efeito estufa, mas acidificação global, eutrofização, uso da terra e uso da água. É muito mais efetivo do que cortar seus vôos ou comprar um carro elétrico”, disse Joseph Poore, líder da pesquisa.

A produção de itens de origem animal é responsável pelos impactos ambientais como, poluição dos lençóis freáticos e poluição do ar. A criação de carne bovina em comparação a plantação de proteína vegetal, ocupa trinta e seis vezes mais áreas cultiváveis e é responsável por emitir seis vezes mais gases na atmosfera.

Não tem como fazer toda a população mundial parar de repente de consumir produtos de origem animal. Mas pequenos passos são bem vindos, como diminuir o seu consumo diário, mesmo que siga uma dieta onívora.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), realizada em 2018, o movimento pelas causas animais está crescendo. No Brasil, 14% da população se declara vegetariano (superando a população da Austrália e Nova Zelândia). Enquanto, 55% dos entrevistados estariam dispostos a consumirem produtos sem nada de origem animal.

Seguir um estilo de vida onde você pensa em outros seres e nos danos que você causa ao planeta não é uma tarefa fácil. “O veganismo muda vidas, a sua, a nossa, a dos animais. As vezes é difícil mas vale a pena todo esforço. Tentar fazer mudanças em como os animais são vistos traz resultados importantes a todos”, explica a professora Juliana Couto.

O veganismo mostra diversas vantagens, experimente participar de desafios como o Meat Free MondaySegunda Sem Carne. A campanha foi criada em 2003, na Inglaterra, por Paul McCartney, o objetivo é conscientizar a população para substituir a proteína animal pela vegetal pelo menos uma vez na semana para ajudar o meio ambiente, os animais e sua própria saúde.



ADAPTAÇÃO DO MERCADO
Os empreendedores estão se preocupando com as pessoas que não consomem produtos de origem animal, apresentando produtos para esse público. Em supermercados agora é possível encontrar industrializados muito conhecidos (steak de frango, coxinha, lasanhas, pizzas, chips, entre diversos outros), em versões ovolactovegetarianas, lactovegetarianas, ovovegetarianas e veganas.

Pelos corredores do supermercado, Giovana Reis, professora de biologia e vegana há 12 anos conta que para seguir uma dieta sem consumir produtos de origem animal não é necessário ser rico. “Os produtos industrializados são bem caros, não entra no orçamento de qualquer pessoa. Mas para ter uma alimentação vegana saudável, bem diversificada e que não seja só com produtos industrializados, não fica caro, na verdade fica bem mais barato do uma dieta com bichinhos”, explica.


Além de produtos alimentares, grandes marcas de cosméticos lançam artigos Cruelty Free e linhas de produtos veganos, para assim se adequarem aos novos requisitos dos consumidores. No site da
People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) - a maior organização não governamental que luta pelos direitos dos animais –, é possível ver quais marcas são cruelty free e/ou veganas.

“Não é uma tarefa fácil ir a uma farmácia e comprar um simples batom. Tudo tem pesquisa, vemos quais são as propostas da marca, se ela é vegana, se o produto não tem nada de animais”, conta Giovana Reis.


MITOS X VERDADES
Veganos sempre precisam suplementar a alimentação com vitaminas.
Mito. A vitamina B12 é o nutriente que pode estar em falta em uma dieta estrita. Segundo a nutricionista Regiani Rossi, a vitamina B12 é responsável por formar uma camada que protege o sistema nervoso central e ajuda também na formação das células vermelhas do nosso organismo. Não existe uma substituição para ela, mas já existem suplementos veganos que se tomados na quantidade correta são suficientes.

A proteína vegetal é diferente da animal.
Verdade. Existem dois tipos de proteína, as proteínas de alto valor biológico (carnes) e as proteínas de baixo valor biológico (leguminosas) que não possuem a quantidade adequada dos aminoácidos essenciais como a da carne, mas se for associado as leguminosas mais cereais elas podem sim fornecer uma proteína de boa qualidade. Porque assim um aminoácido que falta em uma leguminosa pode ser complementado com um aminoácido contido em um cereal, explica a nutricionista Regiani Rossi.

Veganos possuem uma magreza excessiva.
Mito. O veganismo não tem nada a ver com a magreza excessiva não, a pessoa pode continuar tendo um peso normal, com uma vida normal sendo vegano. O correto mesmo é sempre fazer essa transição com a ajuda de um nutricionista, porque tudo tem que ter a qualidade e a quantidade certa, explica a nutricionista Regiani Rossi.

Na perspectiva nutricional, é impossível substituir a carne em uma dieta.
Mito. A proteína vegana se encontra em leguminosas, sementes e grãos como o feijão, a ervilha, a lentilha, a chia e o grão de bico. Os carboidratos, que geralmente é a maior parte da alimentação vegana são provenientes das frutas, verduras e das farinhas. O lipídio para o vegano vem de oleaginosos como as sementes da linhaça, chia, castanhas, óleo de coco e azeites, explica a nutricionista Regiani Rossi.



DICAS DE CONTEÚDOS
Estamos chegando no final desta matéria, mas o movimento pelos animais nunca vai parar. Se você se interessa pelo assunto, quer mudar a forma como você trata os recursos do meio ambiente e lutar pelos animais, vou te passar agora alguns conteúdos que são essenciais para a sua transição. Lembre-se que cada passo que você dá para a mudança já conta muito.

Documentário: Terráqueos
Lançado em 2005, “Earthlings – Make the Connection”, conhecido no Brasil como “Terráqueos – Faça a Conexão”, é um documentário escrito, dirigido e produzido pelo ambientalista estadunidense Shaun Monson que mostra até que ponto a humanidade chegou em relação aos maus-tratos de animais.
 
Livro: Libertação animal (Peter Singer)
Editado pela primeira vez em língua inglesa no ano de 1975, revisado e traduzido para o português em 2004, a obra Libertação animal de Peter Singer, se encontra no centro das discussões das questões de ética prática e bioética.



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