Viver e incluir

por Cleiton Rodrigues
Foto: Nathan Anderson



O despertador toca às 5h40 de uma quarta-feira. Faz frio. Me levanto, tomo um banho e organizo tudo para acompanhar de perto a rotina de ensino da Escola de Tempo integral Joaquim Beato, no município da Serra, Espírito Santo. Uma das poucas instituições públicas no Estado que segue a pratica da Educação Inclusiva.

A convite da educadora Arydene Duarte, responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), participou de um dos dias de evento da Semana Nacional da pessoa com deficiência intelectual e múltipla, realizada pelo terceiro ano consecutivo na unidade. Reunidas no auditório do local, diversas realidades. Quem comanda a palestra do dia é o Sargento Wagner, da 6º Companhia Independente de Domingos Martins. Sua história de vida emociona os alunos e os fazem refletir sobre a necessidade de se incluir, valorizar e respeitar a todos, pois somos todos diferentes.

Conheço o jovem Igor, 28, que possui síndrome de Down. Comunicativo, extrovertido, inteligente, esperto e finalizando o Ensino Médio. Popular entre os colegas, professores e demais funcionários e, de acordo com sua mãe, Sila Valéria, 57 anos, o menino iniciou sua trajetória estudantil na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), onde ficou por 10 anos.

Era chegada a hora de mudar, Igor já não queria mais participar da APAE, começou então, a frequentar uma escola de ensino regular. “A princípio, a experiência não foi muito legal, o Igor era hiperativo, na época não havia profissionais capacitados, até hoje acho que não tem, mas na época era pior. Ele ficava irritado com aquilo e tinha dias que eu tinha que ir buscar ele na escola mais cedo, porque a professora não conseguia dar aula para os demais alunos”, contou Sila.

Uma outra realidade era a relação dos colegas com o menino, que ficavam a todo o momento questionando seu jeito. Foi então que sua mãe resolveu mudá-lo mais uma vez de instituição e em um novo espaço, foi notável o desenvolvimento de Igor que começou a aprender as cores, a contar, o alfabeto e recebia um acompanhamento especializado, sem contar que ainda realizava outras atividades como natação e futsal.

Como a instituição atendia apenas até o ensino fundamental, quando ele finalizou, fiquei com receio de colocá-lo em outra escola. Mas, fui pesquisando por instituições, até que encontrei a Escola Viva e em conversa com o diretor, funcionários e estudantes para saber se era viável colocar ele, perguntei se eles tinham profissional para atendimento especial e disseram que não, mas que eu poderia ficar tranquila e em 15 dias chegou a professora Arydene, salientou a mãe do jovem Igor.

Para Sila a Educação Inclusiva está melhorando, mas ainda falta muito. “A inclusão não é apenas colocar o aluno na sala de aula, é necessário ter a participação. Muitas instituições colocam o aluno em sala de aula, mas não incluem”, afirma.

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Viver e incluir Viver e incluir Reviewed by Equipe Integra on 11:00 Rating: 5

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