Levantamento revela cenário do uso de drogas lícitas e ilícitas no Brasil


por Thainara Ferreira
Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que 46 milhões de brasileiros de 12 a 65 anos beberam pelo menos uma dose de bebida alcoólica 30 dias antes da pesquisa e quase 5 milhões usaram alguma droga ilícita 12 meses antes do levantamento.
Para a realização desse estudo foram ouvidas 17 mil pessoas em mais de treze municípios. É muito difícil vermos uma pesquisa como essa realizada pela Fiocruz, inclusive, esse foi o primeiro com abrangência nacional.
Alguns dados do levantamento dizem também que dois milhões e trezentos mil brasileiros apresentaram comportamentos de dependência do álcool antes da pesquisa.
4,9 milhões de brasileiros afirmaram que usaram alguma droga ilícita 12 meses antes da pesquisa. Esse percentual é maior entre os jovens de 18 a 24 anos. Inclusive, 7,7% usaram maconha pelo menos uma vez na vida, fazendo com que a maconha seja a droga mais consumida.
Procuramos o advogado criminalista e pesquisador sobre drogas, Thiago Fabres, para entender melhor o assunto na visão dele como pesquisador. Ele diz que as drogas deveriam ser legalizadas, pois são apenas um pretexto para perseguir algumas pessoas e complementa dizendo que isso faz com que os jovens bem-nascidos sejam tratados como “usuários” e recebam tratamento médico e os jovens nascidos em periferias sejam tratados como traficantes e acabam presos, principalmente negros e pobres.
Nós conversamos com o jovem Pedro Henrique, de 26 anos. Ele mora em um bairro periférico de Vila Velha, e disse que começou a usar drogas muito cedo por influência de amigos da escola. Apesar de ter pais evangélicos, ele não conseguiu deixar de entrar para a vida do crime.

Tudo começou na escola, no ensino fundamental, quando tinha cerca de 13 anos. Na rodinha de amigos, a maioria já tinha usado algum tipo de droga, e para não se sentir “deslocado”, ele acabou usando também. Foi através das drogas que ele conheceu outras pessoas e acabou se tornando um traficante na região, preso várias vezes por tráfico, homicídios e roubos. Pedro afirma que no caso dele uma coisa acabou levando a outra. Hoje não consegue sair dessa vida que entrou por influência dos amigos e que acabou se mantendo por causa do dinheiro que vinha fácil pela venda das drogas.
Precisamos levar em consideração também outros tipos de drogas como remédios e cigarros. O levantamento da Fiocruz informa que 13% das pessoas ouvidas disseram que fumaram nos 30 dias anteriores a pesquisa, o que representa um total de 20 milhões de brasileiros. Sobre os remédios, que também são drogas, porém vendidas legalmente, 3% informou que usaram medicamentos controlados sem receita ou de forma imprópria.

Adolescentes bebem cada vez mais cedo
por Ciglei Lira


Levantamento realizado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que 25,1% das garotas com idade entre 13 e 15 anos bebem ao menos uma dose por mês. Entre os garotos, o índice é de 22,3%.
A precocidade também espanta. O estudo revelou ainda que os adolescentes começam a beber aos 12 anos e meio. Invariavelmente, a porta de entrada para o consumo de álcool são as bebidas doces – e baratas. 
" Quando eu tinha 07 anos de idade, meu pai ao beber cerveja, sempre deixava um gole de aproximadamente um dedo no fundo  da garrafa para me oferecer. Geralmente as crianças confiam em seus pais, estranhos não são confiáveis, mas os pais sim ou deveriam ser, por isso nenhuma criança normalmente rejeita os pais lhe oferece. O fato é que isso foi virando um hábito dele e eu fui me acostumando com o gosto da bebida", depoimento da Assistente Social, Corina faustino. 
Os jovens e adolescentes estão bebendo cada vez mais cedo, e uma parte dessa influência vem dos pais. Quando a bebida entra com frequência na casa de uma família e consumida em abundância, sem perceber os pais acabam indiretamente estimulando os filhos a beberem também.
O álcool já é uma droga lícita, e se essa droga se torna comum dentro de casa, seja por problemas financeiros,  brigas familiares, ou qualquer outro tipo de conflito externo ou interno o jovem pode assimilar o consumo ou abuso do álcool como uma “válvula de escape”, assim como os pais, acrescentou a assistente social. 
Mortes decorrentes ao álcool 
O Ministério da Saúde, afirma que 1,45% do total de mortes que aconteceram entre os anos 2000 e 2017 estão ‘’totalmente atribuídos à ingestões abusivas de bebidas’’. Ele cita, por exemplo, a doença hepática alcoólica como consequência do abuso da substância que podem ser mortais. 

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